Tchau, Willy


Ano passado a gente perdeu o Flick. Esse ano, hoje, a gente perdeu o Willy. Eu tô tentando digitar este post agora, enquanto tá tudo rodando aqui na minha cabeça, porque não quero pensar em tudo isso de novo. O meu primeiro cachorrinho, tão desejado, tão lindo, tão bonzinho se foi.

Ele já não enxergava mais (ou enxergava só vultos), tinha problemas de infecção no ouvido, na pele toda (desde que uma veterinária infeliz disse que ele poderia ser tosado), já tinha tido tumores nos olhos e no testículo, só levantava pra fazer as necessidades (e às vezes nem isso), já tava com os cotovelos todos machucados por causa disso. Não tinha mais cura e nem um jeito de aliviar a situação dele.

Por mais que eu saiba que foi mais do que necessário, que ele já tava sofrendo há anos e a cada dia que passava as coisas só ficavam piores, não teve como não sentir aquela fisgada no peito, aquela dor que só me fez fazer chorar desde que a veterinária chegou aqui em casa. Quando ela me perguntou se era pra sacrificar hoje, eu não conseguia responder. Ali na hora, olhando pra ele, sem saber o que tava acontecendo, putz... Eu queria ter esperança que se a gente esperasse ele poderia melhorar. Mas ela confirmou que não ia, que o máximo que dava pra fazer era ir levando até que chegasse um dia que ele estaria realmente ruim e morreria.

Não queria prolongar o sofrimento dele que nem foi com o Flick. Mó stress, tanto pra ele quanto pra minha mãe, pra só ter uns meses de sobrevida e morrer no auge do sofrimento. Minha mãe já tava sofrendo muito em ver o Willy daquele jeito; ela foi mais corajosa que eu e pediu pra sacrificá-lo. Eu não consegui me conformar na hora, me recusei a vê-lo morto mesmo sabendo que ele não sofreu - a veterinária aplica uma anestesia, espera ele dormir e então aplica o remédio que mata.

Caras, isso dói muito. Dói pensar o quanto ele sofreu esse tempo todo ao mesmo que tempo que dói por saber que eu nunca mais vou vê-lo de novo. Quando eu me despedi dele, só consegui passar a mão no rosto dele e dizer "Tchau, Willy". Sempre que eu saia de casa eu falava tchau pra ele, mas dessa vez doeu dizer o último tchau.

O mais foda de tudo é pensar que quando eu chegar em casa não vou encontrá-lo. Nunca mais vou ver aquela carinha dele, que parecia querer me dizer "bem vinda de volta", querendo se levantar sem conseguir, abanando o rabo. Não vou mais ouvir o latido dele quando o caminhão de lixo passar. Nem a cara emburrada dele quando a gente tinha que dar banho.

Ah Willy, eu te amei desde o dia que o vendedor te tirou da gaiolinha e deixou você andar na grama. E você veio aqui pra casa no meu colo. Corria com as duas patas de trás juntas e errava o cálculo quando pulava no sofá. Tinha medo de descer as escadas, fuçava o carro atrás de biscoito, comeu uma abelha pra nunca mais comer coisa nenhuma que se mexesse no chão. Perdíamos mais de uma hora pra te dar banho, mas você sempre foi educado. Só rosnava pra quem realmente não gostava da gente. Se preocupava quando a gente saía do portão. Adorava deitar no molhado pra se refrescar. De manhã, tremia de frio só pra chamar a atenção, como se soubesse o que é isso com aquelas duas camadas de pelo.
Manhoso.

Descanse em paz, meu lindinho. Você já tá fazendo muita falta...

5 comments:

Leo Matheus disse...

Dá um aperto no coração ler seu post...
Posso dizer que o Willy foi o cachorro com quem eu conviví mais tempo... e ele era muito fofo, e um dos mais bonitos que eu já ví. Dava muita dó ver ele do jeito que ele estava, pelo menos parou de sofrer.

Se cuida aí.

Ana Paula Bertoni disse...

Eu só conhecia por foto... mas também gostava do Willy. Como não se cativar por tanta fofura? rs

Nessas horas nem tem como dizer pra não ficar triste. Mas não fique mal, foi sim a melhor decisão, já que ele estava sofrendo. A gente sempre espera que eles partam dormindo, velhinhos... mas infelizmente nem sempre acontece, com minha husky Natasha também foi assim, precisamos sacrificá-la, senão ela só ia agonizar e sofrer mais. Já tinha 14 anos e estava inválida.

Os animaizinhos são anjos em nossas vidas. O importante é que ele foi muito amado. Tenha certeza que ele foi feliz!

abraços, Miyu!

Rinoa disse...

Nhá... que triste. Eu perdi a minha cachorra um tempo atrás... e dói muito, mas faz parte de ter um companheiro maravilhoso, como é um cão.

O Willy agora está no céu dos caninos, mas os bons momentos que passou com ele vão ser seus para sempre.

Melhoras mamis e se precisar, estamos aí.

Samuel disse...

Eu lembro que ele já tava aí quando eu te conheci... Foi quando? 2001 pra 2002, eu acho..

Enfim, é como eu sempre digo: ele não morreu, só "foi na frente".

Força, sobrinha.

Ferny disse...

Esse post leva o premio do ano... Nunca tive a chance de ver ele mas sohlendo o q vc escreve sinto q jah o conheco... Mas vamos nessa o importante eh q ele fez parte da sua vida por tanto tempo e no final, eh isso q faz a vida tao rica e repleta de surpresas agradaveis e momentos de crescimento...algo assim hehe. Quer uma camiseta feia pra sentir melhor? Jah tem adesivo haha!